sábado, 26 de setembro de 2009

100 comentários.











Gosto muito de brincar com as palavras. Às vezes pego num monte de palavras, fecho bem as mãos, agito-as e, depois, atiro as palavras ao ar. E é bonito vê-las voar. Tal como balões largados ao vento que se deixam levar para longínquas paragens. Por vezes, nesse caminho, encontram outras palavras, criam empatia e lá ficam em ameno convívio.

Outras palavras há, porém, que são demasiado pesadas e logo caem ao chão. Cumprem o seu destino. Não estavam prontas para voar.

Há muitas coisas que eu sei. Outras há que eu pensei que sabia e que, mais tarde, vim a descobrir que afinal não sabia.

Hoje sei uma coisa que antes não sabia. Treinar para uma maratona que se realiza em Outubro ou Novembro é bem mais difícil que treinar para uma maratona que tem lugar em Março ou Abril.

Isso, eu sei, hoje. Será que amanhã continuarei a saber ou esta verdade deslizará para a secção das coisas que eu pensava que sabia.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Tarde piaste.



Foi àcerca de 1 ano que eu senti a vontade de participar na maratona de Paris 2008. Entretanto, andei numa de indecisões e era assim – Vou? -Não vou. -Vou? - Não vou.

O tempo foi passando e eu continuava a ser um empata, sem nada decidir. Até que passado algum tempo, talvez por volta do fim do ano, tomei a decisão inabalável: Vou!

Lá fui para o computador para formalizar a minha inscrição, o que tentei. Só que do outro lado, veio, logo de seguida, uma notícia que, traduzida para português, diria mais ou menos o seguinte:

Tarde piaste!

É verdade, as inscrições estavam esgotadas.

Acabei por me decidir por Madrid, que também era em Abril, e onde, como costuma dizer o Malato, fui muito feliz.

Este ano, para não me acontecer o mesmo tomei a decisão e agi de imediato. Agora não há que voltar atrás.

Deste modo mato dois coelhos com uma só cajadada: não corro o risco de deixar esgotar as inscrições e estabeleço para mim mesmo um novo desafio para o próximo ano, o que é importante, pois como sabem aqueles que andam nestas coisas a falta de objectivos é a pior coisa que nos pode acontecer.
José Alberto

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

S. João das Lampas . Uma meia diferente.


S. João das Lampas.

Como referi na minha última mensagem, optei, e bem , por me deslocar a S. João das Lampas, para correr esta meia-maratona.

Em boa hora tomei esta decisão. De facto foram vários os pontos que me levam a considerar ter sido uma experiência positiva. Um deles era aproveitar para fazer um treino longo um pouco mais rápido, mais ou menos ao ritmo em que eu espero fazer a maratona do Porto em Novembro próximo. Acabei por completar esta maratona em 1:56:31, pelo que, atendendo ao grau de dificuldade (grande) da prova, considero um resultado positivo.

Outro dos motivos era aproveitar para conviver com alguns amigos da blogosfera, grande parte dos quais eu só conhecia virtualmente, e que agora já conheço pessoalmente. Foi, para mim, um grande prazer ter alguns momentos de conversa com esses amigos. Não vou referir nomes, com receio de esquecer algum, mas eles sabem de quem estou a falar.

Também o facto de nunca ter corrido esta meia e de nem sequer me passar pela cabeça onde ficava essa terra que eu tomei a liberdade de chamar de S. João das Lâmpadas, me motivou, pois o factor novidade conta muito nestas coisas de corridas. E noutras também...

Quanto à prova em si, só tenho elogios a fazer. Verdade seja dita que não sou muito exigente e desde que tenha água nos abastecimentos e não seja atropelado, já me dou por satisfeito. Agradeço sempre às pessoas que, a troco de 5 ou 6 euros, se “dão ao trabalho” de organizar uma “festa” onde eu posso ir “desfilar” os resultados dos meus treinos solitários.

De qualquer modo não posso deixar de realçar a boa organização e o facto de uma terra aparentemente com poucos recursos conseguir organizar uma prova como esta. Mas a verdade é que quando alguém (neste caso o alguém tem um nome Fernando Andrade) sonha, a obra nasce.

Não posso deixar de referir a dureza da prova.
-É dura?
-É!
-E gostaste?
-Sim!
-Voltarias a fazê-la?
-Sim!


José Alberto

sábado, 5 de setembro de 2009

S. João das lâmpadas.




O rapaz andava a treinar para a maratona do Porto e, se bem que andasse um pouco cansado, achou que estaria na altura de “meter” uma meia-maratona do meio dos seus treinos. Assim em geito de brincadeira, digamos, meio a brincar e meio a sério. Ouviu falar numa meia-maratona que se iria realizar, em 12 de Setembro, alí para os lados de Sintra, numa terra chamada São João das Lâmpadas.

Como nesse fim se semana o rapaz iria estar por aqueles lados, achou que seria o sítio certo para dar corda às sapatilhas e lá se inscreveu.

Pesquisou no google-maps, mas nada se S. João das Lâmpadas. De qualquer modo não havia que ter medo, pois chegado a Sintra logo descobriria tal terra. E lá foi.

Quando chegou a Sintra começou a perguntar às pessoas onde era S. João das Lâmpadas. «não conheço», respondiam uns, «nunca ouvi falar», respondiam outros. Lá seguiu mais alguns quilómetros até que viu alguns atletas, a quem fez a mesma pergunta:

- Amigo, sabe-me dizer onde fica São João das Lâmpadas?
- São João das Lâmpadas? Não conheço! Ah, não estará a falar de S. João das Rampas?
É mesmo a uns quinhentos metros daqui. Sempre em frente.

Andou um pouco mais e lá viu um sinal que dizia “São João das Lampas”.

São João das Lampas? Uhm, devem ter-se enganado a escrever o nome.

O rapaz lá levantou o seu dorsal, equipou-se e fez a sua meia-maratona.

De regresso ainda teve tempo para pensar que há terras e gentes que devem muito ao desporto e ao atletismo. Não fosse esta meia-maratona e a esta hora ainda haveria meio mundo que nem sequer imaginaria que existe uma terra, alí para os lados de Sintra, que se chama São João das Lâmpadas, quero dizer S. João das Rampas. Ou será mesmo São João das Lampas?

sábado, 29 de agosto de 2009

Berlim. O muro que não caiu.

"Ninguém esperava pelo grande evento. Três meses antes da queda, um homem morrera ao tentar atravessar o muro com um parapente. A poucos dias do 12 de novembro, as guaritas de vigilância da banda oriental ainda impunham respeito com seus soldados fortemente armados.Fazia frio na noite de 12 de novembro de 1989. Mas isso não impediu que milhares de alemães invadissem as ruas para derrubar o famoso Muro de Berlim, símbolo máximo da Guerra Fria. Ali, naquela noite, nas ruas escuras de uma Berlim não mais dividida, escrevia-se mais um capítulo emblemático da História Contemporânea. Após aquele dia, a Alemanha voltava a ser uma só."

"Ela tinha ouvido dizer que o muro tinha sido derrubado. Por todo o lado se falava da queda do muro.

Então, confiante, já na segunda metade da prova, tomou conta da corrida e durante largos quilómetros impôs o seu ritmo. Uma após uma, as suas adversárias foram ficando para trás, incapazes de acompanhar o seu ritmo, até ao momento em que ficou quase sózinha na frente da corrida. Só mais duas ou três atletas a conseguiam acompanhar. O seu ritmo era forte e de confiança.

Eis que, de repente, apareceu o muro. Neste caso o muro de Berlim. E a atleta começou o ficar irremediávelmente para trás. "

No passado domingo tive a oportunidade e o privilégio de assistir à transmissão televisiva da maratona feminina dos mundiais de Berlim. Grande espectáculo! Adorei!

Mas, se houve cena que me marcou foi a do momento em que a russa Yulamanova, que durante largos quilómetros tinha seguido na frente da corrida, com um ritmo decidido e forte, de repente simplesmente “saiu” da corrida. Só isso, quase desapareceu. Ora, isto é a prova provada de que o muro da maratona, o tal muro, existe e está bem forte. E é isto que faz desta prova uma prova especial. Nenhum atleta, por melhor que se sinta num determinado momento, mesmo que esteja a poucos quilómetros da chegada, pode garantir que vai estar bem no quilómetro seguinte.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Estranha(s) forma(s) de vida.


Domingo. 7 horas da manhã. Estaciono o meu carro no sítio de costume, perto da marina do Areinho, Ovar. Faço cerca de 10 minutos de corrida muita lenta, seguida de cerca de mais 10 minutos de ginástica, e estou pronto para a partida para mais um treino longo de fim de semana. Serão 24 kms. que irei fazer a uma média de 6 minutos por Km.

Lá me meto eu à estrada em direcção à Torreira, onde será o meu ponto de retorno. O dia está muito nublado. O nevoeiro está cerrado, poucos metros se vendo em frente. Nada que não seja habitual nesta zona a estas horas da manhã. Concerteza que no regresso o sol já estará a brilhar e terei a oportunidade de ver o seu reflexo nas águas da ria.

Ainda meio a dormir lá sigo eu. Aproxidamente com 500 metros de corrida começo a ouvir música em alto som e carros em alta aceleração. Sigo mais uns metros e passo em frente à discoteca “Rainbow” e noto que ali está a findar o dia. De copo e cigarro na mão, com olhares distantes, música em alto som, alguns jovens apressam-se a terminar o seu dia. Com olhar surpreso olham para mim. Talvez seja a mesma surpresa com que eu olho para eles.

Estranha forma de vida a deles?

Estranha forma de vida a minha?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Quem não tem que fazer vai aos grilos.


Sim, em tempos muito antigos eu já fui um mocito. Sim, desses de calções pelo joelho, de pernitas magras e de boné, que vão para a escola com a pasta às costas. Desses que só queria chegar ao fim do dia de aulas sem ter “provado” nas suas mãos o sabor da madeira da palmatória. Creio que quase consegui passar ao lado da dita palmatória, não podendo, contudo, gabar-me de não ter sentido o quanto ela ardia nas mãos. Outros tempos e outras histórias.

Nessa altura aqui o mocito era muito inquieto e não conseguia estar parado, sem fazer nada. Por vezes, aborrecido por não ter nada para fazer, cansava a sua mãe, queixando-se disso mesmo, ao que a mesma, talvez exausta de tanto o aturar, lhe respondia: “Quem não tem que fazer vai aos grilos”. E foi assim que aqui o rapaz se tornou um grande caçador de grilos. E olhem que não era fácil apanhar um grilo. Além de muita técnica era necessário muita paciência.

E vem isto a que respeito? Vem a respeito de há alguns dias atrás eu ter feito anos.

Sim, porque de vez em quando fazemos anos. Alguém, perversamente (?) , inventou os aniversários só para nos chamar à razão. Ou porque somos muito novos e ainda temos muito para aprender ou porque somos velhos e o melhor é ter calma e não dar demasiada corda. Parece que há sempre razão de queixa da idade.

Assim, na semana passada aconteceu-me o mesmo que às pessoas. Fiz anos! Mais um a juntar à soma e a transportar-me até aos 54.

Até aqui tudo bem. Só que a partir de uma certa idade nós começamos a olhar mais para o fim do que para o princípio. Creio ser incontornável. E assim também eu me pus a fazer contas à vida, até chegar à conclusão (sábia?) de que não vale a pena fazer demasiados planos, porque o futuro, bem, o futuro é futuro.

No entanto isso não impediu que eu tivesse sentido uma certa vontade de fazer umas pesquisas. Assim, porque não tinha nada para fazer (que me apetecesse) fui aos grilos. E foi assim que dei por mim a analisar os resultados de alguns escalões de veteranos da maratona de Madrid 2009.

Foi assim que cheguei aos seguintes resultados:

Pelos vistos a velhice é uma coisa um pouco subjectiva, ou não será assim?

Um princípio que eu apreendi desde muito novo é que a função faz o orgão, e não o contrário.

Por isso há que insistir e não desistir.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Está oficialmente aberta a época da caça ao pato bravo.


Assim, a partir de amanhã, vou começar a treinar tendo em vista a minha participação na maratona do Porto, que vai ter lugar em 8 de Novembro.

Não vou começar do zero, pois depois da minha última maratona em 26 de Abril continuei a treinar com regularidade. Nas últimas semanas tenho feito 3 treinos semanais, num total de 40 kms, por semana.

A partir de agora vou tentar aumenter gradualmente o total semanal de kms. o que passa, primeiro, por introduzir mais 2 treinos por semana. Logo, começarei a fazer 5 treinos semanais.

Vou tentar aproveitar as experiências ganhas com os treinos e participações nas 4 maratonas realizadas anteriormente. Sinto que a experiência conta muito neste tipo de provas. Há toda uma série de conhecimentos que só a experiência nos permite alcançar.
Muito embora seja um pouco estudioso da matéria, já deu para perceber que não há regras gerais nem planos de treino universais. Cada atleta é um caso único e o que serve para um pode não servir para outro.

Costumo ler muita coisa de atletismo e apreciar muitos planos de treinos. Deles retiro os princípios essenciais e depois sigo as minhas próprias convicções, sempre atento às minhas próprias limitações.

Uma coisa que eu já absorvi e que considero importante é que 1 mês a mais ou a menos no treino para a maratona faz toda a diferença. Não estou, claro, a falar daqueles atletas que já têm uma base bastante sólida e que “tratam a maratona por tu”. Para aqueles que ainda aspiram a melhorar o seu tempo e a terminar em boas condições 4 ou 3 mêses de treinos é muito diferente. Aqui, 1 mês faz toda a diferença.

O meu objectivo é "muito ambicioso". Conseguir cumprir os 4 meses de treino sem me lesionar, o que, parecendo ser coisa simples, não é. Afinal sempre serão mais de 800 kms. de corrida.

Depois, chegando o grande dia, logo se vê. Se der para melhorar o tempo anterior de 4:12:20 tanto melhor. Se não der, amigos na mesma.

Assim, a partir de agora quando alguém vir por estas bandas a norte do distrito de Aveiro, nesta cidade encravada entre a serra e o mar, um homem de meia idade, de calções, a correr, tal qual um pato bravo a fugir do caçador, ele não vai atrás do nada, ele não vai sozinho. Ele vai atrás do sonho.