terça-feira, 18 de maio de 2010

6OO KMS. PARA COMER GAROUPA ASSADA NO FORNO.


Conheço pessoas, muitas, que fazem centenas de quilómetros para comer um prato de lampreia não si onde, uns rojões à minhota em tal sítio ou uma vitela assada num local ainda mais distante.
Realizando-se na Costa da Caparica a 2ª. Meia-maratona da Areia e estando eu impossibiltado de correr a minha motivação para aí me deslocar poderia ser menor. Fazer 600 kms. para comer garoupa assada no forno é coisa que eu nunca faria. Mas, fazer 600 kms. para sentir o poder do abraço, bem, aí já eu estava disposto a alinhar.

E assim fiz. Em boa hora me desloquei à Costa da Caparica onde simultâneamente com a meia-maratona se realizou o 3º. Meeting-blogger. Foi com muito gosto que aí estive presente, juntamente com familiares, e agradeço a todos as atenções recebidas.

Foi bom sentir o poder do abraço.

Foi bom estreitar algos laços de amizade e conhecer mais alguns companheiros de corrida que até agora só conhecia de nome.

Foi bom conviver com algumas pessoas que têm em comum o gosto de correr e, para mim, mais importante, o motivo que as faz correr.

Agradeço às pessoas (Fernando Andrade e Joaquim Adelino) que se deram ao trabalho de proporcionar a todos estas horas de convívio. Se o fizeram foi, seguramente, porque também dão valor ao poder do abraço.

José Alberto

terça-feira, 11 de maio de 2010

Passa o tempo, mudam-se as gerências, mas ficam os livros.

"Fundada em 1732 por Pedro Faure, a primeira Bertrand abriu portas na Rua Direita do Loreto.

Bertrand é hoje o nome da maior rede de livrarias em Portugal, integradas e estreitamente cooperantes no esforço de satisfazer as necessidades dos seus clientes. A expansão e modernização de que foi alvo abarcou todo o país continental e ilhas, contando já com uma superfície comercial que ultrapassa os 8.000 m2, mas a livraria pioneira continua aberta no Chiado, exibindo belas e características salas, um grande respeito pela sua tradição e, claro, uma ampla variedade de todos os tipos de livros. Muitos intelectuais e escritores passaram pelas suas portas e conviveram com os seus livros - livros que os inspiraram a escrever e a ler. Durante a sua longa História, foi muitas vezes o ponto privilegiado de discussões literárias e mesmo de tramas políticas. Hoje a Bertrand da Rua Garrett é um verdadeiro tesouro vivo e uma recordação única do notável e riquíssimo passado de Lisboa e, particularmente, do Chiado, um dos bairros mais emblemáticos e cosmopolitas da cidade. Situado entre o Bairro Alto e a baixa pombalina, o bairro é também o local de nascimento de Fernando Pessoa, provavelmente o maior poeta português do século XX.

Após o Grande Terramoto de 1755 o seu genro foi obrigado a instalar-se junto da Capela de Nossa Senhora das Necessidades, regressando, dezoito anos depois, à reconstruída baixa pombalina. A Rua Garrett passa então a fazer parte do itinerário cultural da cidade. Por ali passam e ficam, em conversa de amigos ou em acesas tertúlias, Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Antero de Quental e Ramalho Ortigão. Pela esquina de tão prestigiada livraria passava, na verdade, a História. À Rua Garrett chegou notícia da fuga de D. João VI para o Brasil, ali se cruzaram liberais e conservadores, mais tarde republicanos e democratas, por ali estávamos proibidos de invadir o cantinho de Aquilino Ribeiro, e ainda não há muito nos podíamos cruzar com Fernando Namora ou José Cardoso Pires. "

1732 é, também, o peso, em gramas, das minhas recordações da meia-maratona de Cortegaça.

Meia-maratona de Cortegaça que, mais uma vez este ano, sempre no segundo domingo do mês de Maio, se realizou no passado domingo.

De 1994 a 1999 foi assim:

De 2000 a 2005:

De 2006 a 2008.

À semelhança da meia-maratona de Ovar, esta foi outra prova que eu privilegiei durante muitos anos e à qual nunca faltei.

Em 2009, por ser muito chegada à maratona de Madrid, não estive presente. Este ano... bem, este ano, tem sido um ano para esquecer.

Vou vivendo entre as recordações de um passado não muito distante e a esperança num futuro que tarda em chegar. Com o peso de uma lesão que tarda em desaparecer e que vou procurando debelar. Resta trabalhar e confiar que o tempo a paciência façam o resto.

terça-feira, 27 de abril de 2010

A alegria dos amigos.

Por vezes alegramo-nos comos nossos feitos. Outras pelos feitos dos nossos amigos.

Foi o que aconteceu neste fim de semana. Dois amigos meus, o João OLiveira e o Artur Rodrigues completaram com sucesso a maratona de Madrid. Foi uma estreia na distância mas que os mesmos viveram com intensidade. Por cá, impossibilitado de participar, fiquei a torcer por eles, e foi com muita satisfação que registei a sua alegria por terem ingressado no clube dos maratonistas.

Parabéns para o João e para o Artur.

sábado, 17 de abril de 2010

Filho da puna.


O Sr. Manuel era (suponho que ainda é) um homem bom. Bom e muito educado.

Era ao Sr. Manuel que, em tempos, quando eu ainda utilizava lareira, quando o frio apertava, eu recorria, pedindo-lhe que me trouxesse 1.000 kgs. de lenha. Precisava dela para amanhã, pois estava muito frio e a lenha que tinha ficado do ano passado já tinha ido à vida.

Dizia a minha mulher: “lembra ao Sr. Manuel que traga lenha limpa e sequinha”.

Geralmente no dia seguinte cá estava o Sr. Manuel. Vinha de Escariz, lá dos lados de Arouca. Autêntico homem do campo, “expert” em matos e lenhas. Trabalhava para as fábricas do papel e a lenha, dizia, era um “biscate”. Por isso é que ele vinha sempre em horas esquisitas. Ou era ao sábado de manhã, mas bem cedo, ou lá para o fim da tarde, mas bem tarde. É que o Sr. Manuel não queria encontrar-se com o pessoal da GNR. Era o eterno problema das guias de transporte da mercadoria, ou, melhor dizendo, da falta delas...

Rápido chegava, rápido partia. Consigo vinha um neto, adolescente, potencial negociante de lenha. Mal chegavam eu abria o portão da garagem, e cá ficávamos os três a descarregar a lenha. O neto inclinava a caixa de carga da camioneta e empurrava a lenha, o Sr. Manuel ficava cá em baixo a puxar a lenha e eu ficava a ver... e a passar o cheque.

Ora, o neto com tanta pressa de descarregar a lenha ás vezes mandava umas axas com mais força. Uma ou outra iam atingir o Sr.Manuel.

- Filho da puna! – dizia o Sr. Manuel, homem bem educado.

Filho da puna, que quer isso dizer? Questionava eu.

E assim, ano após ano a história se foi repetindo até ao dia em que eu mudei o sistema de aquecimento.

Durante a semana que passou andava a sentir-me bem do meu joelho. Por isso, planeei um treino um pouco maior para Domingo. Aproveitei para fazer companhia a dois amigos que vão correr a maratona de Madrid na próxima semana (olá Artur; olá João) e que queriam fazer um treino longo. Combinei com eles e esperei-os aos 18 kms., tendo feito depois, em sua companhia, 14 kms..

Há tanto tempo que eu não comia um bife assim! Aumentei um pouco a distância em relação aos meus treinos anteriores e o ritmo também foi um pouco mais forte, mas nada que metesse medo ao susto.

Gostei! Vim para casa satisfeito.

Na segunda-feira, comecei a sentir o joelho inchado. Na terça idem. Na quarta-feira, a medo, fui correr. Ao fim de vinte minutos senti que era melhor terminar o treino. Mais do mesmo!

- Filho da puna, disse eu.

Filho da puna, que quer isso dizer? Quer dizer dor no joelho, dor na perna, dor na alma...

Mais uma semana para o galheiro.



sábado, 10 de abril de 2010

Centro de alto rendimento em Vermoin.





A atleta Rosa Oliveira, com quem todos nós, ou pelo menos os atletas do norte, já se têm cruzado inúmeras vezes por estas estradas fora, deu uma entrevista ao JN. Agradável de ler essa entrevista e que no fundo constitui uma homenagem a uma atleta que sem ter atingido o estatuto de uma Rosa Mota ou de uma Fernanda Ribeiro nem por isso deixa de ser um bom exemplo a ter em conta.
Mas, o que me chamou mais a atenção foi a parte da entrevista em que a Rosa Oliveira fala das condições (ou da falta delas) para treinar, e dos esquemas que arranjou para conseguir reunir o mínimo de condições.

Passo a citar:
“A correr desde os 10 anos, a atleta sénior lamenta a falta de investimento dos grandes clubes no atletismo. "Houve alturas em que os clubes investiam nas equipas e apostavam no atletismo. Agora é só futebol", referiu. Até nas infra-estruturas, diz Rosa Oliveira, Portugal é pobre. "Treino na estrada, sempre em paralelo, porque é quase impossível encontrar terra que se possa pisar. Está tudo cheio de alcatrão e precisamos de terra para correr", salientou. Para poder correr em terra, fez uma espécie de contrato com alguns agricultores de localidades famalicences. "Falei com eles e, alguns, estão a deixar, nos campos agrícolas, uma faixa de dois metros em que não semeiam nada só para que, eu e a minha equipa, possamos treinar", refere”.

Que nunca as pernas lhe doam.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Tantos pássaros e eu aqui.


Gosto especialmente daquele “postal” que mostra um gato, cheio de apetite, a olhar para uma árvore onde estão muitos pássaros e ele sem lhes poder chegar. Diz o gato,

“Tantos pássaros e eu aqui!”.

Há ainda aquela de um corredor lesionado, em convalescença, que vai à internet, vê blogs e sites de corrida e diz:

“Tantas corridas e eu aqui!”

É bem verdade. Conheço um fulano que já não vai a uma corrida desde princípios de Dezembro do ano passado. Esteve lesionado, andou em tratamento, era para ir à maratona de Paris no próximo dia 11 de Abril, e agora recomeçou a treinar, nas calmas, como convém. O tal fulano recomeçou a treinar há 3 semanas e na semana passada fez treinos num total de 30 kms. Esta semana já correu 20 kms. e com o treino que conta fazer no próximo domingo irá totalizar os mesmos 30 kms.. Os mesmos 30 kms. mas a um ritmo um pouco mais rápido.

Pensava o fulano que isto era chegar e andar. Mas a verdade é que readquirir a forma tem muito que se lhe diga. É como diz o ditado, “as coisas más vêm de repente e as boas vêm devagarinho”.

De qualquer modo o tal meu amigo não está muito descontente com a situação, pois depois de quase 3 mêses sem correr já é muito bom conseguir correr 30 kms. numa semana... se bem que um pouco lentamente.

À falta de outros objectivos esse tal meu amigo está a ver se consegue pôr-se apto para correr uma meia-maratona em Maio. Depois da “travessia do deserto” até que nem seria mau. Vamos lá a ver. Meia-maratona de Cortegaça em 9 de Maio e/ou II Meia-maratona da Areia (Costa da Caparica) em 16 de Maio?

sexta-feira, 19 de março de 2010

Quando quase ia ganhando a corrida.

Foi há alguns anos atrás que tudo aconteceu.

A corrida teve lugar na simpática vila de Argoncilhe, concelho de Santa Maria da Feira e tinha um percurso que totalizava cêrca de 10000 metros, divididos em 3 voltas.

À semelhança de alguns anos anteriores decidi alinhar nessa prova.

Parti confiante e segui o meu ritmo. À medida que a prova avançava ia aumentando a velocidade. A fase final era uma descida longa, talvez cêrca de 1000 metros, que, precisamente por ser longa mas não muito inclinada, dava para fazer em bom andamento.

E, nesse entretanto, a cêrca de 1000 metros da linha de chegada eis-me isolado a caminho da meta. Entre mim e a meta nenhum atleta. Como nunca, o pódio ao meu dispôr. A glória tão perto.

Algumas dezenas de metros depois passa por mim o carro da organização. Sentado na mala vai o fotógrafo a tirar fotografias. Nesta altura, entre mim e a meta só a carrinha da organização.

Faltam só duas ou três centenas de metros para a meta, entramos numa parte plana, já quase se sente o insuflável da linha de chegada e é então que sou rápidamente ultrapassado por três atletas, que, mesmo em cima da meta, me roubam os primeiros lugares.

Paciência, ainda não foi dessa que eu fui ao pódio.

Entretanto, passei a meta e lá foi fazer mais uma volta, a terceira.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Barak Obama na meia-maratona de Cortegaça.


Bonjour.. Monsieur le président veut parler avec José.

Um momento, diga ao Nicholas que o José está ali a fazer uns alongamentos e que já atende o telefone.

....

- Olá Nicholas. Então, tudo bem contigo? O que é que mandas?

- Olha José, queria saber, sempre vens a Paris em 11 de Abril? É que eu queria organizar as minhas coisas por aqui e precisava de saber.

- Não Nicholas, lamento muito, mas, como tu sabes, desde Dezembro que ando a tratar uma lesão no joelho e a coisa ainda não melhorou o suficiente.

- É pena, eu a Carla gostávamos muito de os receber aqui em casa.

- Também lamento muito, afinal já lá vão uns longos mêses desde que estivemos juntos a última vez. Lembras-te daquela noitada em que estivemos uma série de horas a jogar à moedinha?

- Se me lembro, deste-me uma cabazada...

- Olha Nicholas, estava a lembrar-me de uma coisa, como estou a recomeçar a minha preparação, que não deve ser muito rápida, estou a pensar alinhar na meia-maratona de Cortegaça, que se realiza no dia 9 de Maio. É uma prova de que eu gosto muito e que já fiz uma série de anos. E se vocês viessem cá nessa data? Era capaz de ser porreiro. Eu fazia a meia e tu fazias a caminhada. Que achas da ideia?

- Não está mal pensado. Mas é capaz de haver um pequeno problema. É que nesse fim de semana eu tenho uma reunião agendada com o Obama, e não vou poder faltar.

- Olha, e se falasses com o Obama e ele também viesse e vocês aproveitavam e faziam a reunião em Cortegaça? O Obama também podia fazer a caminhada e depois, da parte de tarde, vocês falavam o que tinham a falar. De certeza que não há-de ser nada importante, mas sempre cumprem o calendário.

- Ok. Vou falar com o Obama, mas acho que a ideia tem pernas par a andar.

- Vê lá se consegues. Ia ser porreiro. Lá em Cortegaça existe uma mata onde se podem fazer piqueniques e também tem lá um parque de merendas com umas mesas de pedra onde nós podíamos almoçar. Nós levávamos um tacho com arroz de tomate e uns rissóis, e passávamos lá uma tarde em beleza. E, lá para a tardinha, ainda podíamos jogar à malha. Era uma tarde em beleza. Eu levo as malhas. O meco sempre se há-de arranjar.

- E tens mecos por aí? Não sei se tens?
- Oh Nicholas não sejas mau, deixa o homem em paz. Já não lhe chega o Freeport, A Manuela Moura Guedes ou o Mário Crespo...