
Sim, em tempos muito antigos eu já fui um mocito. Sim, desses de calções pelo joelho, de pernitas magras e de boné, que vão para a escola com a pasta às costas. Desses que só queria chegar ao fim do dia de aulas sem ter “provado” nas suas mãos o sabor da madeira da palmatória. Creio que quase consegui passar ao lado da dita palmatória, não podendo, contudo, gabar-me de não ter sentido o quanto ela ardia nas mãos. Outros tempos e outras histórias.
Nessa altura aqui o mocito era muito inquieto e não conseguia estar parado, sem fazer nada. Por vezes, aborrecido por não ter nada para fazer, cansava a sua mãe, queixando-se disso mesmo, ao que a mesma, talvez exausta de tanto o aturar, lhe respondia: “Quem não tem que fazer vai aos grilos”. E foi assim que aqui o rapaz se tornou um grande caçador de grilos. E olhem que não era fácil apanhar um grilo. Além de muita técnica era necessário muita paciência.
E vem isto a que respeito? Vem a respeito de há alguns dias atrás eu ter feito anos.
Sim, porque de vez em quando fazemos anos. Alguém, perversamente (?) , inventou os aniversários só para nos chamar à razão. Ou porque somos muito novos e ainda temos muito para aprender ou porque somos velhos e o melhor é ter calma e não dar demasiada corda. Parece que há sempre razão de queixa da idade.
Assim, na semana passada aconteceu-me o mesmo que às pessoas. Fiz anos! Mais um a juntar à soma e a transportar-me até aos 54.
Até aqui tudo bem. Só que a partir de uma certa idade nós começamos a olhar mais para o fim do que para o princípio. Creio ser incontornável. E assim também eu me pus a fazer contas à vida, até chegar à conclusão (sábia?) de que não vale a pena fazer demasiados planos, porque o futuro, bem, o futuro é futuro.
No entanto isso não impediu que eu tivesse sentido uma certa vontade de fazer umas pesquisas. Assim, porque não tinha nada para fazer (que me apetecesse) fui aos grilos. E foi assim que dei por mim a analisar os resultados de alguns escalões de veteranos da maratona de Madrid 2009.
Foi assim que cheguei aos seguintes resultados:

Pelos vistos a velhice é uma coisa um pouco subjectiva, ou não será assim?
Um princípio que eu apreendi desde muito novo é que a função faz o orgão, e não o contrário.
Por isso há que insistir e não desistir.