
"Ela tinha ouvido dizer que o muro tinha sido derrubado. Por todo o lado se falava da queda do muro.
Então, confiante, já na segunda metade da prova, tomou conta da corrida e durante largos quilómetros impôs o seu ritmo. Uma após uma, as suas adversárias foram ficando para trás, incapazes de acompanhar o seu ritmo, até ao momento em que ficou quase sózinha na frente da corrida. Só mais duas ou três atletas a conseguiam acompanhar. O seu ritmo era forte e de confiança.
Eis que, de repente, apareceu o muro. Neste caso o muro de Berlim. E a atleta começou o ficar irremediávelmente para trás. "
No passado domingo tive a oportunidade e o privilégio de assistir à transmissão televisiva da maratona feminina dos mundiais de Berlim. Grande espectáculo! Adorei!

Mas, se houve cena que me marcou foi a do momento em que a russa Yulamanova, que durante largos quilómetros tinha seguido na frente da corrida, com um ritmo decidido e forte, de repente simplesmente “saiu” da corrida. Só isso, quase desapareceu. Ora, isto é a prova provada de que o muro da maratona, o tal muro, existe e está bem forte. E é isto que faz desta prova uma prova especial. Nenhum atleta, por melhor que se sinta num determinado momento, mesmo que esteja a poucos quilómetros da chegada, pode garantir que vai estar bem no quilómetro seguinte.