Foi há alguns anos atrás que tudo aconteceu.
A corrida teve lugar na simpática vila de Argoncilhe, concelho de Santa Maria da Feira e tinha um percurso que totalizava cêrca de 10000 metros, divididos em 3 voltas.
À semelhança de alguns anos anteriores decidi alinhar nessa prova.
Parti confiante e segui o meu ritmo. À medida que a prova avançava ia aumentando a velocidade. A fase final era uma descida longa, talvez cêrca de 1000 metros, que, precisamente por ser longa mas não muito inclinada, dava para fazer em bom andamento.
E, nesse entretanto, a cêrca de 1000 metros da linha de chegada eis-me isolado a caminho da meta. Entre mim e a meta nenhum atleta. Como nunca, o pódio ao meu dispôr. A glória tão perto.
Algumas dezenas de metros depois passa por mim o carro da organização. Sentado na mala vai o fotógrafo a tirar fotografias. Nesta altura, entre mim e a meta só a carrinha da organização.
Faltam só duas ou três centenas de metros para a meta, entramos numa parte plana, já quase se sente o insuflável da linha de chegada e é então que sou rápidamente ultrapassado por três atletas, que, mesmo em cima da meta, me roubam os primeiros lugares.
Paciência, ainda não foi dessa que eu fui ao pódio.
Entretanto, passei a meta e lá foi fazer mais uma volta, a terceira.
sexta-feira, 19 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Barak Obama na meia-maratona de Cortegaça.

Bonjour.. Monsieur le président veut parler avec José.
Um momento, diga ao Nicholas que o José está ali a fazer uns alongamentos e que já atende o telefone.
....
- Olá Nicholas. Então, tudo bem contigo? O que é que mandas?
- Olha José, queria saber, sempre vens a Paris em 11 de Abril? É que eu queria organizar as minhas coisas por aqui e precisava de saber.
- Não Nicholas, lamento muito, mas, como tu sabes, desde Dezembro que ando a tratar uma lesão no joelho e a coisa ainda não melhorou o suficiente.
- É pena, eu a Carla gostávamos muito de os receber aqui em casa.
- Também lamento muito, afinal já lá vão uns longos mêses desde que estivemos juntos a última vez. Lembras-te daquela noitada em que estivemos uma série de horas a jogar à moedinha?
- Se me lembro, deste-me uma cabazada...
- Olha Nicholas, estava a lembrar-me de uma coisa, como estou a recomeçar a minha preparação, que não deve ser muito rápida, estou a pensar alinhar na meia-maratona de Cortegaça, que se realiza no dia 9 de Maio. É uma prova de que eu gosto muito e que já fiz uma série de anos. E se vocês viessem cá nessa data? Era capaz de ser porreiro. Eu fazia a meia e tu fazias a caminhada. Que achas da ideia?
- Não está mal pensado. Mas é capaz de haver um pequeno problema. É que nesse fim de semana eu tenho uma reunião agendada com o Obama, e não vou poder faltar.
- Olha, e se falasses com o Obama e ele também viesse e vocês aproveitavam e faziam a reunião em Cortegaça? O Obama também podia fazer a caminhada e depois, da parte de tarde, vocês falavam o que tinham a falar. De certeza que não há-de ser nada importante, mas sempre cumprem o calendário.
- Ok. Vou falar com o Obama, mas acho que a ideia tem pernas par a andar.
- Vê lá se consegues. Ia ser porreiro. Lá em Cortegaça existe uma mata onde se podem fazer piqueniques e também tem lá um parque de merendas com umas mesas de pedra onde nós podíamos almoçar. Nós levávamos um tacho com arroz de tomate e uns rissóis, e passávamos lá uma tarde em beleza. E, lá para a tardinha, ainda podíamos jogar à malha. Era uma tarde em beleza. Eu levo as malhas. O meco sempre se há-de arranjar.
- E tens mecos por aí? Não sei se tens?
- Oh Nicholas não sejas mau, deixa o homem em paz. Já não lhe chega o Freeport, A Manuela Moura Guedes ou o Mário Crespo...
Um momento, diga ao Nicholas que o José está ali a fazer uns alongamentos e que já atende o telefone.
....
- Olá Nicholas. Então, tudo bem contigo? O que é que mandas?
- Olha José, queria saber, sempre vens a Paris em 11 de Abril? É que eu queria organizar as minhas coisas por aqui e precisava de saber.
- Não Nicholas, lamento muito, mas, como tu sabes, desde Dezembro que ando a tratar uma lesão no joelho e a coisa ainda não melhorou o suficiente.
- É pena, eu a Carla gostávamos muito de os receber aqui em casa.
- Também lamento muito, afinal já lá vão uns longos mêses desde que estivemos juntos a última vez. Lembras-te daquela noitada em que estivemos uma série de horas a jogar à moedinha?
- Se me lembro, deste-me uma cabazada...
- Olha Nicholas, estava a lembrar-me de uma coisa, como estou a recomeçar a minha preparação, que não deve ser muito rápida, estou a pensar alinhar na meia-maratona de Cortegaça, que se realiza no dia 9 de Maio. É uma prova de que eu gosto muito e que já fiz uma série de anos. E se vocês viessem cá nessa data? Era capaz de ser porreiro. Eu fazia a meia e tu fazias a caminhada. Que achas da ideia?
- Não está mal pensado. Mas é capaz de haver um pequeno problema. É que nesse fim de semana eu tenho uma reunião agendada com o Obama, e não vou poder faltar.
- Olha, e se falasses com o Obama e ele também viesse e vocês aproveitavam e faziam a reunião em Cortegaça? O Obama também podia fazer a caminhada e depois, da parte de tarde, vocês falavam o que tinham a falar. De certeza que não há-de ser nada importante, mas sempre cumprem o calendário.
- Ok. Vou falar com o Obama, mas acho que a ideia tem pernas par a andar.
- Vê lá se consegues. Ia ser porreiro. Lá em Cortegaça existe uma mata onde se podem fazer piqueniques e também tem lá um parque de merendas com umas mesas de pedra onde nós podíamos almoçar. Nós levávamos um tacho com arroz de tomate e uns rissóis, e passávamos lá uma tarde em beleza. E, lá para a tardinha, ainda podíamos jogar à malha. Era uma tarde em beleza. Eu levo as malhas. O meco sempre se há-de arranjar.
- E tens mecos por aí? Não sei se tens?
- Oh Nicholas não sejas mau, deixa o homem em paz. Já não lhe chega o Freeport, A Manuela Moura Guedes ou o Mário Crespo...
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Paris a arder.

Bonjour! C’est toi Nicholas?
Ici c’est José, du Portugal.
Tout va bien avec toi?
Et Bruni? Tout va bien avec Bruni?
Olha, queria pedir-te um favor, coisa pouca. Como sabes, deves ter lido nos jornais, eu estou inscrito para a maratona de Paris, no próximo dia 11 de Abril. Acontece que tive uma lesão num joelho e estive sem treinar cêrca de dois mêses. Agora, já faltam menos de 60 dias e tenho receio de não conseguir preparar-me convenientemente até ao dia. Será que me podes ligar para a organização e pedir-lhe que adiem em um mês a maratona. É que um mês mais tarde talvez já me seja possível.
- É para já, José! Depois ligo-te a dar notícias.
- Merci Nicholas.
Pouco tempo depois, liga-me o Nicholas a dar-me uma má notícia.
- Olá José! C’est ton ami Nicholas. Olha, il n’est pas possible. Da organização ils m’ont dit o seguinte:
- O teu amigo português que não seja burro. Já tem idade para ter juízo. Para o ano há mais maratona, e nos anos seguintes também.
Merci Nicholas. Au revoir. Dá um abraço meu à Bruni. Um dia destes passo aí pelo Eliseu e levo-te uns presuntos de Chaves e umas alheiras de Mirandela.
Ici c’est José, du Portugal.
Tout va bien avec toi?
Et Bruni? Tout va bien avec Bruni?
Olha, queria pedir-te um favor, coisa pouca. Como sabes, deves ter lido nos jornais, eu estou inscrito para a maratona de Paris, no próximo dia 11 de Abril. Acontece que tive uma lesão num joelho e estive sem treinar cêrca de dois mêses. Agora, já faltam menos de 60 dias e tenho receio de não conseguir preparar-me convenientemente até ao dia. Será que me podes ligar para a organização e pedir-lhe que adiem em um mês a maratona. É que um mês mais tarde talvez já me seja possível.
- É para já, José! Depois ligo-te a dar notícias.
- Merci Nicholas.
Pouco tempo depois, liga-me o Nicholas a dar-me uma má notícia.
- Olá José! C’est ton ami Nicholas. Olha, il n’est pas possible. Da organização ils m’ont dit o seguinte:
- O teu amigo português que não seja burro. Já tem idade para ter juízo. Para o ano há mais maratona, e nos anos seguintes também.
Merci Nicholas. Au revoir. Dá um abraço meu à Bruni. Um dia destes passo aí pelo Eliseu e levo-te uns presuntos de Chaves e umas alheiras de Mirandela.
sábado, 30 de janeiro de 2010
O que é que matou o gato?

Estava eu a pensar num título que se adequasse a este post, quando achei que “a ansiedade matou o gato” estaria perfeito.
Pensava estar resolvido o problema, quando dei por mim a pensar se tinha sido a ansiedade ou a curiosidade que mataram a gato. E, pensando bem, acho que o ditado verdadeiro é “a curiosidade matou o gato”. Problema para mim pois assim o ditado já não serve para o fim em vista.
Também fiquei curioso de saber da origem deste ditado. Voltas e mais voltas à cabeça e depois de muitas pesquisas cheguei à seguinte conclusão. Os gatos, vadios que são, andam muito pelas estradas, logo vêem muitos carros a passar, logo acham que os carros andam muito rápido, logo querem sabem a que velocidade vão (ficam curiosos).
Como não têm melhor maneira de o saber atiram-se à estrada e vão contra os carros para, sofrendo o impacto, ficarem a saber se os carros vão depressa ou devagar. Daí “a curiosidade matou o gato”.
Acho que faz algum (nem que seja pouco) sentido. E isto porque nunca vi nenhum gato ansioso e curioso... sei lá.
Gosto muito de gatos, de cães... é só uma brincadeira.
E vem toda esta “conversa de treta” a respeito da minha recuperação. De facto a ansiedade mata qualquer recuperação que se deseje válida e permanente. Tudo tem o seu tempo e não adianta querer ultrapassar etapas. Quando estamos lesionados temos de saber recuperar lentamente, pois independentemente dos tratamentos há um remédio que só se pode tomar um pouco de cada vez. Chama-se tempo.
È o que eu tenho tentado fazer, aceitar tudo com tranquilidade (olá Paulo Bento) e ir subindo um degrau de cada vez. E parece que assim a recuperação vai resultar. Ontem corri 20 minutos, hoje vou andar 30 minutos de bicicleta e amanhã vou correr 30 minutos. Lentamente. Diz-me o fisioterapeuta para ir aumentando o tempo de corrida, mas não a intensidade e assim o farei.
José Alberto
Pensava estar resolvido o problema, quando dei por mim a pensar se tinha sido a ansiedade ou a curiosidade que mataram a gato. E, pensando bem, acho que o ditado verdadeiro é “a curiosidade matou o gato”. Problema para mim pois assim o ditado já não serve para o fim em vista.
Também fiquei curioso de saber da origem deste ditado. Voltas e mais voltas à cabeça e depois de muitas pesquisas cheguei à seguinte conclusão. Os gatos, vadios que são, andam muito pelas estradas, logo vêem muitos carros a passar, logo acham que os carros andam muito rápido, logo querem sabem a que velocidade vão (ficam curiosos).
Como não têm melhor maneira de o saber atiram-se à estrada e vão contra os carros para, sofrendo o impacto, ficarem a saber se os carros vão depressa ou devagar. Daí “a curiosidade matou o gato”.
Acho que faz algum (nem que seja pouco) sentido. E isto porque nunca vi nenhum gato ansioso e curioso... sei lá.
Gosto muito de gatos, de cães... é só uma brincadeira.
E vem toda esta “conversa de treta” a respeito da minha recuperação. De facto a ansiedade mata qualquer recuperação que se deseje válida e permanente. Tudo tem o seu tempo e não adianta querer ultrapassar etapas. Quando estamos lesionados temos de saber recuperar lentamente, pois independentemente dos tratamentos há um remédio que só se pode tomar um pouco de cada vez. Chama-se tempo.
È o que eu tenho tentado fazer, aceitar tudo com tranquilidade (olá Paulo Bento) e ir subindo um degrau de cada vez. E parece que assim a recuperação vai resultar. Ontem corri 20 minutos, hoje vou andar 30 minutos de bicicleta e amanhã vou correr 30 minutos. Lentamente. Diz-me o fisioterapeuta para ir aumentando o tempo de corrida, mas não a intensidade e assim o farei.
José Alberto
sábado, 23 de janeiro de 2010
Já ganhei!

Depois de alguns receios quanto à origem das dores no meu joelho direito e de ter feito a TAC, parece que o problema é mesmo a síndrome do trato íliotibial.
A TAC revelou que os meniscos estão em bom estado, assim como os ligamentos do joelho. Fiquei a saber que tenho um problema no ligamento cruzado anterior (ligamento de muita fina espessura, talvez devido a lesão muita antiga com ruptura de parte das suas fibras ou de natureza constitucional). Não será esta a causa da lesão mas terá contribuído.
Posto isto, fiquei mais confiante e iniciei uma nova fase de tratamentos de fisioterapia. Uma nova clínica, um novo fisioterapeuta e novos métodos. E descanso. O certo é que já me estou a sentir bastante melhor e estou confiante que dentro de pouco tempo (uma semana ?) talvez possa voltar a correr.
Entretanto, quiz o destino (?) que os meus tratamentos sejam feitos numa clínica de reabilitação física. O primeiro dia foi de choque. É que os meus colegas de “treino” são maioritáriamente pessoas que estão a recuperar de problemas profundos (AVC’s e outros do género).
Passado que foi o choque inicial, acho que já ganhei muito com esta minha lesão. Deu-me a oportunidade de conviver com a outra face da vida. A vida das pessoas que lutam desesperadamente pela recuperação de faculdades perdidas e para as quais qualquer pequeno passo já é uma enorme vitória.
Enquanto ali estou sou “forçado” a meditar na fragilidade da vida humana e agradeço ao destino ter-me dado esta oportunidade de me tornar mais humano e mais sensível à dor alheia.
Por isso, só posso dizer:
- Já ganhei!
A TAC revelou que os meniscos estão em bom estado, assim como os ligamentos do joelho. Fiquei a saber que tenho um problema no ligamento cruzado anterior (ligamento de muita fina espessura, talvez devido a lesão muita antiga com ruptura de parte das suas fibras ou de natureza constitucional). Não será esta a causa da lesão mas terá contribuído.
Posto isto, fiquei mais confiante e iniciei uma nova fase de tratamentos de fisioterapia. Uma nova clínica, um novo fisioterapeuta e novos métodos. E descanso. O certo é que já me estou a sentir bastante melhor e estou confiante que dentro de pouco tempo (uma semana ?) talvez possa voltar a correr.
Entretanto, quiz o destino (?) que os meus tratamentos sejam feitos numa clínica de reabilitação física. O primeiro dia foi de choque. É que os meus colegas de “treino” são maioritáriamente pessoas que estão a recuperar de problemas profundos (AVC’s e outros do género).
Passado que foi o choque inicial, acho que já ganhei muito com esta minha lesão. Deu-me a oportunidade de conviver com a outra face da vida. A vida das pessoas que lutam desesperadamente pela recuperação de faculdades perdidas e para as quais qualquer pequeno passo já é uma enorme vitória.
Enquanto ali estou sou “forçado” a meditar na fragilidade da vida humana e agradeço ao destino ter-me dado esta oportunidade de me tornar mais humano e mais sensível à dor alheia.
Por isso, só posso dizer:
- Já ganhei!
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
O chupa-chupa do menino.

Passado que foi mais de um mês desde que comecei a sentir dores no joelho direito e porque, apesar dos tratamentos, a “coisa” não evoluiu o suficiente, decidi ir ao médico.
Assim, na passada terça-feira lá fui à clínica fisiátrica, onde expus o meu caso. Mal cheguei apanhei logo o tratamento de choque, ou seja, a minha “dor” e a minha impossibilidade de correr são logo confrontadas com o drama de pessoas que nem sequer conseguem mexer um braço (umas), as pernas (outras), todos os membros e por aí adiante.
De qualquer modo a desgraça dos outros não me pode impedir de procurar a resolução dos meus problemas e de tentar viver em pleno. Até porque todos nós somos candidatos a tais males e basta que os aguentemos se e quando eles nos chegarem.
Entrado no consultório o médico lá me fez o seu exame, tendo feito alguns prognósticos, que, se se confirmarem, não são animadores. Mandou-me fazer uma TAC ao joelho e passar por lá a mostrar os resultados.
E mais, à saída disse-me:
- Enquanto não souber os resultados não pense em correr.
- Não, não penso, também não consigo – retorqui eu.
No dia seguinte voltei ao consultório.
- Senhor Doutor, posso fazer-lhe só uma pergunta?
- À vontade, faça duas.
- Ontem disse-me para eu não correr. E nadar? E andar de bicicleta? Posso?
- Nadar, seguramente, não lhe faz mal nenhum. Bicicleta... também pode.
“Bicicleta... também pode”, era mesmo isso que eu queria ouvir.
Por momentos o meu rosto iluminou-se. Fiquei em silêncio por uns instantes. O médico, talvez admirado pelo silêncio, levantou os olhos, que fixou nos meus. Aquele médico deve ter visto qualquer coisa estranha na minha cara. Fixou-me mais atentamente. Comecei a desconfiar daquele olhar profundo.
Após esses momentos o médico disse-me:
- Bicicleta...pode andar. Mas não é para fazer grandes distâncias. Costuma fazer muitos Kms.?
- Costumo dar umas voltas grandes...
- Não é para ir daqui ao Furadouro e tornar a vir!
- Mas, era mesmo isso que eu estava a pensar fazer. Paciência! Obrigado Senhor Doutor.
Resta acrescentar que de minha casa ao Furadouro (zona de Ovar), ida e regresso são 40 kms., sendo que o regresso é quase sempre a subir, com algumas subidas acentuadas. Já fiz este trajecto inúmeras vezes e dá bastante gozo fazê-lo.
Hoje foi dia de ir fazer a TAC. Vamos esperar alguns dias pelos resultados e logo se verá.
Assim, na passada terça-feira lá fui à clínica fisiátrica, onde expus o meu caso. Mal cheguei apanhei logo o tratamento de choque, ou seja, a minha “dor” e a minha impossibilidade de correr são logo confrontadas com o drama de pessoas que nem sequer conseguem mexer um braço (umas), as pernas (outras), todos os membros e por aí adiante.
De qualquer modo a desgraça dos outros não me pode impedir de procurar a resolução dos meus problemas e de tentar viver em pleno. Até porque todos nós somos candidatos a tais males e basta que os aguentemos se e quando eles nos chegarem.
Entrado no consultório o médico lá me fez o seu exame, tendo feito alguns prognósticos, que, se se confirmarem, não são animadores. Mandou-me fazer uma TAC ao joelho e passar por lá a mostrar os resultados.
E mais, à saída disse-me:
- Enquanto não souber os resultados não pense em correr.
- Não, não penso, também não consigo – retorqui eu.
No dia seguinte voltei ao consultório.
- Senhor Doutor, posso fazer-lhe só uma pergunta?
- À vontade, faça duas.
- Ontem disse-me para eu não correr. E nadar? E andar de bicicleta? Posso?
- Nadar, seguramente, não lhe faz mal nenhum. Bicicleta... também pode.
“Bicicleta... também pode”, era mesmo isso que eu queria ouvir.
Por momentos o meu rosto iluminou-se. Fiquei em silêncio por uns instantes. O médico, talvez admirado pelo silêncio, levantou os olhos, que fixou nos meus. Aquele médico deve ter visto qualquer coisa estranha na minha cara. Fixou-me mais atentamente. Comecei a desconfiar daquele olhar profundo.
Após esses momentos o médico disse-me:
- Bicicleta...pode andar. Mas não é para fazer grandes distâncias. Costuma fazer muitos Kms.?
- Costumo dar umas voltas grandes...
- Não é para ir daqui ao Furadouro e tornar a vir!
- Mas, era mesmo isso que eu estava a pensar fazer. Paciência! Obrigado Senhor Doutor.
Resta acrescentar que de minha casa ao Furadouro (zona de Ovar), ida e regresso são 40 kms., sendo que o regresso é quase sempre a subir, com algumas subidas acentuadas. Já fiz este trajecto inúmeras vezes e dá bastante gozo fazê-lo.
Hoje foi dia de ir fazer a TAC. Vamos esperar alguns dias pelos resultados e logo se verá.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
O pai Natal é mau?!

Pai natal irá trazer
Brinquedinhos para nós,
Para a Zeca uma boneca,
Para o Chico um “apico”,
Uma bola de saltar
É o que quer o Baltazar.
Para mim trouxe-me esta prenda.
Na verdade não sei bem se foi o Pai Natal que me trouxe esta prenda ou se fui eu que já a estava a pedir. O certo é que ela me chegou a casa e aqui ficou.
Tudo começou na por volta do dia 10 de Dezembro, na semana seguinte a eu ter corrido a meia-maratona em Lisboa. Num pequeno treino matinal senti uma ligeira dor no joelho. Não dei muita importância. No dia seguinte a dor voltou, e mais forte. Tive de parar, pois era impeditiva de correr. Vi logo que não estava ali coisa boa.
Fui ao fisioterapeuta, que não teve dificuldade em dianosticar a lesão (síndrome do trato ílio tibial. Não conhecia esta lesão, mas logo fui pesquisar na internet e fiquei completamente esclarecido, pois dizem ser a lesão característica dos corredores e dos ciclistas. Dizem que são precisas cêrca de 6 semanas para recuperação total. Pelo andamento estou a ver que a coisa não vai ficar por menos.
Tenho andado em tratamento e depois de 3 semanas sem correr já tenho o meu “plano de teinos” para as 2 próximas semanas. É o seguinte:
“Amanhã vai correr 20 minutos. Passados dois dias corre 25 minutos. Depois vai correndo dia sim, dia não, aumentando 5 minutos de cada vez que corra.”
Quer isto dizer que, se a coisa evoluir favorávelmente, dentro de 2 semanas irei fazer um treino de 55 minutos. Assim o espero. Caso contrário é porque a “coisa” será mais grave e terei de procurar outras causas, que não o “overuse” para esta lesão.
Maratona de Paris a arder? Faltam 3 mêses, vamos a ver.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Natal.

A todos os que, habitual ou ocasionalmente, passam por aqui, os meus desejos de festas felizes.
Aproveito para deixar algumas palavras, já conhecidas, mas sempre oportunas.
José Alberto
Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da mulher
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